A mudança dos tempos. Até na plácida cidade de Golden's Peak.
Golden's Peak - Episódio 3
Crítica por Francisco Fernandes
Quando, a 20 de novembro de 2012 estreia o inovador episódio (primeiro) de Golden's Peak e, em contraste, a Folha de Pixel começa a solidificar a sua presença no cinema com o segundo episódio de Like a Virgin, era já de esperar que, mais tarde ou mais cedo, a série fosse transferida rapidamente para a novata; dito e feito. E, mesmo que ..::PeDR0::.. tentasse, por mais que quisesse, emular os precedentes, era de um forro difícil. Aquando da decisão de trasladar a ação principal para a cidade vizinha de Golden's Peak, o diretor (e argumentista) aproveita para colocar um possível término ao enredo. O compromisso não é seguro durante a decomposição da Folha de Pixel e das outras produtoras e dessa forma, inteligentemente, ..::PeDR0::.. não se compromete. Tenta apenas aliviar aquilo que pode vir a ser o fim da sua carreira.
A aposta da trama desde o início foi, incontestavelmente, o suspense como pilar para o desenrolar da história; após o metódico assassinato de Lucy, a cidade de Golden's Peak - bem como os seus habitantes - passou a olhar para a candura dos finais do século XX de outra forma. Ignorando o apelo à felicidade e a doutrina hippie, a população em geral, principalmente jovens, ganha um interesse por descobrir o que se passou naquela recôndita floresta. E é, à volta da - embora superficial - psicanálise que ..::PeDR0::.. faz a cada personagem que a história se desenrola. Todavia, com a ausência de episódios regularizados, a trama ganha um novo espaço: Brightly Falls, uma metrópole industrializada. Mas agora a preocupação é outra. Além dos conflitos no pequeno grupo de amigos de Lucy, a história estende-se mais e abre horizontes para o desenvolvimento de outros personagens que ganham, consequentemente, mais importância na trama (vide Ivan, Bob e Mary). Enquanto Bob pede ajuda ao espírito misterioso em quem plenamente confia, Mary desenvolve o seu relacionamento com Louis e Ivan progride-se internamente como (provável) principal antagonista. E essa progressão de Ivan justifica-se, também, pela revelação de pontos essenciais da trama como o lado hermético da história. É, para possível final, explicado - finalmente - ainda que parcialmente a fonte de toda a polêmica por trás da morte de Lucy, completando a ideia mais mística da série.
E a história não peca, antes pelo contrário, completa-se; ainda que o diretor não queria colocar um ponto final, sabe, a partir dos seus recursos e fontes, de forma inacabada, aprontar e empacotar a série - talvez para deixar em stand by ou levar empacotada para outro lugar, noutra condição. Afinal, a progressão técnica apresentada pelo terceiro episódio da série, seria, miseravelmente desaproveitada caso fosse esquecida ou omitida. E é curioso observar esse ponto e ver que, desde o início, ..::PeDR0::.. tem trazido em todos os episódios uma evolução e destreza técnica que, até agora, nenhum outro editor conseguiu trazer.
E ..::PeDR0::.. é um pedagogo da simbologia; utiliza o mais simples artefacto para construir uma ideia, como foi a coruja e todas as aves envolventes na série. Essa simbologia que representa a nova geração cinematográfica no Habbo - a geração do suspense - e que proliferou por toda a comunidade a ideia de que, independentemente do valor étnico ou social em que o filme ou série se baseia, independentemente dos tabus religiosos ou morais em que se debatem diversas obras, a simbologia é a resposta para a criação atual de filmes; simbologia física ou ideológica? São as duas, incrivelmente, exploradas pelas, embora negligentes, novas composições habbianas. É de estranhar até não ter chegado ao minimalismo, senão, a exigência acerca do chroma key irá diminuir, contudo, aprimorar-se.
Não consideremos Golden's Peak o término da Folha de Pixel. É, no entanto, o sinal claro da mudança dos tempos. Um alerta para mostrar que, embora as técnicas tenham muito a evoluir (e incrivelmente chegaram onde chegaram), os tempos estão mudando e a indiferença é o alto chanceler do movimento.
«Venham escritores e críticos
Aqueles que profetizam com a tua caneta
E mantém os teus olhos abertos
A chance não voltará de novo
E não falem demasiado cedo
Pois a roda ainda gira
E não há como dizer
Quem será o nomeado
Pois quem perde agora
Será o vencedor do amanhã
Pois os tempos, eles estão mudando.»
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